Qual marca de óleo essencial é confiável?

Quando falamos de óleos essenciais para fins terapêuticos o que queremos são óleos que tenham qualidade para que possamos alcançar os resultados esperados.

Como somos uma escola e loja física, as vezes recebemos algumas perguntas que para quem está no ramo pode até parecer banal, mas também algumas questões podem passar desapercebida até pelos mais experientes, aí vai uma lista de questões importantes para ajudar você a escolher.

Óleo essencial Laranja

1 – Nome botânico

O nome comum para plantas medicinais não diz muita coisa, há muitas melissas, muitas cidreiras, e para não haver confusão em relação de propriedades e aplicações é fundamental que um fornecedor sério e idôneo identifique o produto com o nome botânico. Este nome está em latim e é igual no mundo todo, o nome botânico é binominal e inclui gênero e espécie da planta. Para citar um exemplo temos vários tipos de lavandas, a comercialmente conhecida como francesa, fina ou highland, que é a Lavandula angustifolia que possui um efeito bem calmante, mas temos por exemplo a lavanda brasileira que é a Lavandula dentata, que não possui essa propriedade. Um outro exemplo, comercialmente você pode estar interessado em comprar Abeto siberiano ou Pinho da Sibéria, mas você sabia que ambos são a mesma planta? Sim é a Abies sibirica.


1 – Embalagem

Os óleos essenciais devem ser vendidos em embalagens de vidro, para evitar qualquer tipo de reação com a embalagem. Há poucos anos tínhamos no mercado brasileiro apenas vidros âmbar, mas hoje temos vidros azuis e verdes também, qualquer um deles está protegendo o conteúdo e evitando a interação com a luminosidade. Já frascos incolores não são utilizados pois o contato com a luz facilita a oxidação do óleo e a consequente perda das propriedades.


2 - Quantidade

O mais comum é que os óleos essenciais sejam vendidos entre 2ml a 10ml, isso porque em geral utilizamos gotas. Mas já vi discussões fervorosas nas redes sociais de que não vendiam acima desta quantidade, sim algumas empresas vendem as vezes 50ml, 100 ml e até mais, isso porque existem empresas que vendem para aqueles que utilizam os óleos essenciais como matéria prima seja para saboaria, perfumaria, enfim em geral outros usos que não o terapêutico que utiliza menor quantidade.

E as vezes você cai na tentação de querer pagar um pouco mais barato e aí vem outro problema não usamos e acaba passando a validade e perdendo o produto, em resumo o barato saiu caro.


3 – Cor

Óleos essenciais não possuem cores gritantes, eles vão do incolor, amarelinho até no máximo um tom amarronzado que seria um vetiver, ou um leve esverdeado de uma bergamota, mas em geral cores no tom do amarelo. Algumas poucas plantas possuem coloração azul como camomila azul, cipreste azul, tanaceto, mas isso é o máximo.


4 – Preço

Compare os preços, produtos e quantidade isso é um direito e dever do consumidor, mas desconfie de preços muito diferentes e muito mais baratos, na aromaterapia não existe milagre. Preço é um tema que vale um outro post, em breve escrevo sobre isso.


5 – Cromatografia

Para quem não sabe a cromatografia gasosa combinada a espectrometria de massa chamada de CG-MS é uma análise que informa quais constituintes e quanto deles estão presentes naquele óleo, ou seja é uma análise qualitativa e quantitativa.

É desejado que uma empresa terceira e idônea para testar e assegurar a qualidade do produto, já que seria um conflito de interesse a própria empresa realizar suas análises, claro que essa terceirização tem um custo e algumas empresas ainda não fazem análise de todos os lotes o que seria o ideal para o consumidor e terapeuta.


Pedir a cromatografia virou uma febre, pelo simples fato de que acredita-se que se a empresa apresenta os dados ela confia e garante a qualidade do seu produto. No entanto, o que vemos é que nem todas disponibilizam a cromatografia, e algumas empresas também podem apresentar algo que não atesta qualidade ao produto. Ou seja, se você não sabe quais componentes deveria encontrar no óleo em qual percentual, a cromatografia não irá adiantar muito.


6 – Marca

Com a expansão do mercado voltado a saúde, bem-estar, DiY (do it yourself), muitas marcas que atuam em áreas correlatas como cosméticos, essências e outros, estão tentando ingressar no mercado de aromaterapia, a fim de aproveitar esse boom mercadológico.

Se você almeja os efeitos terapêuticos, busque empresas que tem dedicação ao ramo, pois elas possuem um conhecimento mais aprofundado de toda cadeia produtiva, a aromaterapia tem muitos detalhes que impactam na qualidade do produto, vide os dois próximos tópicos.


7 – Quimiotipo

Para quem não sabe, quimiotipo é quando uma mesma planta apresenta variações químicas, ou seja há uma diferença substancial no percentual de um ativo entre um tipo e outro. Essas variações ocorrem de forma natural, acredita-se que é uma resposta da planta devido a fatores externos, como variações climáticas, altitude, condições do solo como ph, disponibilidade de água, que interferem no desenvolvimento da planta e consequentemente nas moléculas que ela produz.

Isso ocorre apenas em algumas plantas, exemplos mais comuns são alecrim e tomilho. Veja o exemplo abaixo, que foi retirado do livro Base química dos óleos essenciais.


Quimiotipos do Óleo essencial de Alecrim


Quimiotipo Ativo Ação Terapêutica

QT1 Cânfora Estimulante da concentração mental


QT2 Cineol Bactericida e restaurador do aparelho respiratório, antisséptico com ação expectorante e descongestionante.


QT3 Verbenona Atua em problemas hepáticos e de vesícula.


As empresas que se dedicam ao mercado de Aromaterapia, indicam o quimiotipo QT em suas embalagens, pois sabem que isso impacta nas propriedades e indicações de uso daquele óleo. Então minha sugestão é, mesmo que você não vá comprar um óleo de alecrim ou tomilho, mas está considerando comprar a marca x, consulte esses óleos para ver se a empresa possui essa preocupação também.


Algumas empresas vão indicar ainda o GT que é o Geotipo, ou seja a origem geográfica de onde a planta foi cultivada que também vão dar alguns indícios mas não tão claros e específicos como o QT.


8Parte da planta utilizada na extração

Uma mesma planta pode produzir óleo essencial em diferentes partes e com perfis químicos diferentes. Isso ocorre com a laranja, mas há uma "convenção" de nomes diferenciados para o óleo produzido por cada parte: óleo das folhas é vendido como Petitgrain, das flores como Néroli e das frutas como Laranja. Mas para outras plantas não é tão evidente, é o caso da Canela, se for extraído da casca será um óleo rico em aldeído cinâmico, se for extraído das folhas será rico em eugenol.


Como eu disse para vocês a aromaterapia tem muitos detalhes que fazem toda a diferença, as dicas 6 e 7 são exemplos que podem servir para você filtrar empresas realmente preocupados com credibilidade e qualidade.


Espero que a esta altura desta matéria, você tenha entendido que não basta estar escrito na embalagem puro, original, natural, óleo essencial, enfim eu já vi de tudo um pouco, o que eu digo é que o papel, aceita tudo. Então se você não vê que o produto segue o mínimo do que foi citado acima, nem considere comprar, provavelmente é pura propaganda...enganosa.


Fonte consultada: Wolffenbutel, Adriana Nunes. Base química dos óleos essenciais e Aromaterapia. Editora Laszlo.

Posts recentes

Ver tudo